O mapa do desejo

Cultura (Circuito Global): O mapa do desejo: os grandes eventos que movimentam o eixo global entre setembro e outubro.

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O mapa do desejo
Foto: Andrea Avezzu

Os grandes eventos que movimentam o eixo cultural global entre setembro e outubro

Se o primeiro semestre do ano costuma ser o período de planejar e plantar, o segundo semestre, e em especial os meses de setembro e outubro, é quando o circuito cultural internacional engata a marcha definitiva. Para quem acompanha o pulso da arte, do cinema e do design de alto padrão, esta é a época mais interessante do calendário.

Com o encerramento da temporada de mostras de arquitetura e o respiro do meio do ano, a agenda global se reorganiza em um circuito imperdível que vai do Lido de Veneza à Marina da Glória, culminando nos gramados do Regent's Park em Londres.

Se você está organizando sua agenda de viagens, reuniões e imersões criativas para as próximas semanas, desenhei aqui o mapa com os três movimentos capitais que vão ditar a conversa no circuito artístico de alto padrão.

Tsai Ming-liang - Bienal de Veneza

1. Abertura do Circuito: O glamour autoral do Festival de Veneza (2 a 12 de setembro)

Abrindo setembro, os holofotes globais se voltam para a Itália com a 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, sob a direção de Alberto Barbera.

Mais do que uma simples maratona de tapetes vermelhos no Lido, Veneza segue como o termômetro mais sofisticado da cinematografia mundial do segundo semestre, servindo de rampa de lançamento para os títulos que dominarão a temporada de premiações. Para quem transita pela interseção entre arte dramática, narrativa visual e estética, estar atento aos premiados do Leão de Ouro é obrigatório para entender para onde o cinema de autor está caminhando.

ArtRio 2025 - Foto de divulgação

2. O pulso latino: A força da ArtRio na Marina da Glória (16 a 20 de setembro)

Deixando o Velho Mundo e aterrissando no Brasil, setembro traz um dos momentos mais aguardados pelo colecionismo nacional: a ArtRio 2026. Em sua 16ª edição, a feira se consolida na Marina da Glória como o ponto de encontro definitivo entre galerias de peso, artistas consagrados e a nova geração do mercado de arte da América Latina.

A ArtRio tem aquela atmosfera única de curadoria sofisticada à beira da Baía de Guanabara, reunindo o melhor do circuito nacional com colecionadores de São Paulo e do Rio. É o termômetro perfeito para sentir a saúde do mercado de arte local e descobrir quais linguagens plásticas estão capturando a atenção dos grandes compradores nesta temporada.

Claude Cahun, Claude Cahun et Roger Roussot dans Barbe-Bleue de Pierre Albert-Birot, 1929. Photograph, gelatin silver print on Velox paper, 10.7 x 7.5 cm. Courtesy of the artist and Alberta Pane Gallery - Foto reprodução Frieze London

3. O epicentro outonal: A imersão contemporânea da Frieze London (14 a 18 de outubro)

Para coroar o mês de outubro, o destino incontornável da elite criativa e financeira global é Londres. A Frieze London, armada tradicionalmente nas tendas brancas do Regent's Park, transforma a capital britânica no centro efervescente do mercado de arte contemporânea internacional.

O que torna a Frieze imperdível não é apenas a feira em si, que reúne as galerias mais influentes do planeta, mas todo o ecossistema cultural que orbita ao seu redor: leilões históricos nas grandes casas, instalações públicas inovadoras e a convergência de curadores, arquitetos e colecionadores do mundo todo. É uma verdadeira aula a céu aberto sobre o que há de mais vanguardista no pensamento estético global.

Para onde direcionar o olhar?

O denominador comum entre Veneza, a ArtRio e a Frieze é a busca por substância. Seja no enquadramento de um filme independente no Lido, na curadoria de uma galeria carioca ou nos corredores da Frieze, o mercado de alto padrão não busca o óbvio, busca o encontro entre o rigor técnico, a narrativa e a memória cultural.

Nos próximos dias, vou detalhar como esses movimentos influenciam diretamente o nosso mercado por aqui.

Até a próxima edição.